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Venâncio Aires: Entre a Tradição dos Ervais e a Inovação

Venâncio Aires: Entre a Tradição dos Ervais e a Inovação. Somos a terra do chimarrão, do tabaco, do aço e da inovação.

Há histórias que não se explicam apenas com datas; elas se sentem no aroma do mate ao amanhecer e no som das engrenagens que movem o progresso. A trajetória de Venâncio Aires é uma dessas crônicas raras, onde o passado de sesmarias e o futuro da tecnologia convergem em um único horizonte.

Com raízes que mergulham em mais de 250 anos de chão, nossa cidade é um mosaico de povos que aprenderam a transformar as folha em destino.

1. O Berço das Águas e o Faxinal dos Sonhos

Tudo começou onde o Rio Taquari abraça a terra. Em 1762, muito antes de sermos “Venâncio Aires“, fomos o sonho açoriano de Francisco Machado Fagundes da Silva e Rita Josefa de Bittencourt. Na histórica Vila Mariante, o verdadeiro berço do município, as primeiras sementes de civilização foram plantadas.

Curiosamente, a identidade da nossa terra já nasceu com um toque de excentricidade e hospitalidade. Antes do nome oficial, éramos o Faxinal dos Tamancos. O apelido, que atravessou séculos, rendia homenagem ao inglês José Hollbrook, que em Vila Estância Nova esculpia madeira para calçar os tropeiros que por aqui passavam. Mas foi a fé e a generosidade de uma mulher, Brígida Joaquina Fagundes do Nascimento (1783-1873) que em 1864 doou as terras para São Sebastião Mártir, criando o coração geográfico que hoje pulsa em nosso centro urbano.

2. Vila Mariante: A Sentinela do Rio Taquari

Houve um tempo em que o Rio Taquari era a nossa principal estrada. Vila Mariante não era apenas um distrito, mas um coração econômico pulsante.
Antes das rodovias rasgarem o estado, os “caminhos líquidos” levavam nossa madeira, nossos grãos e o nosso tabaco para o mundo.

O Porto de Mariante viveu tempos áureos, com cinemas e hotéis que refletiam a riqueza que as águas traziam e levavam. Embora a modernidade, marcada pela ponte de 1959, tenha silenciado o apito das embarcações, Mariante resiste. Mesmo após as cicatrizes das enchentes de 2024, a vila permanece como nossa sentinela histórica, aguardando a reconstrução e o renascimento através do turismo fluvial.

3. A Alquimia da Terra em Venâncio Aires: Erva-Mate e Tabaco

A economia de Venâncio Aires é uma dança entre o que é nativo e o que foi trazido pela mão do imigrante.
A Essência Verde: A erva-mate já estava aqui, sussurrando entre as matas antes de qualquer colonizador. Ela é a nossa ancestralidade. Hoje, embora o PIB seja diversificado, a erva-mate é nossa coroa cultural. Somos a Capital Nacional do Chimarrão, e cada cuia servida é um ritual de pertencimento.
O Ouro em Folha: O tabaco chegou com o suor dos imigrantes alemães em 1853. O que começou como uma pequena semente nas colônias do Vale do Arroio Sampaio, transformou-se em uma potência global.
O tabaco industrializou Venâncio, ergueu fábricas e colocou nossa cidade no mapa das maiores exportadoras do planeta, provando que o solo venâncio-airense tem uma vocação nata para a abundância.

4. A Escola do Chimarrão: Onde a Tradição Vira Ciência

Não se toma apenas um mate em Venâncio Aires; compartilha-se um saber. Fundada pela paixão de Pedro José Schwengber, o nosso “Pedro Erva”, a Escola do Chimarrão transformou o hábito em arte. É aqui que o mundo aprende que existem 36 formas de preparar o mate. Da técnica recorde de 11 segundos ao simbolismo dos mates decorados, a escola é a nossa embaixadora sobre rodas, levando o calor do nosso acolhimento para além das fronteiras.

5. O Vigor Industrial: A Força do Metal e do Gelo em Venâncio Aires

Se a agricultura nos deu a base, a indústria nos deu as asas. Venâncio Aires é hoje um polo nacional de refrigeração e cozinhas profissionais.
Não se pode falar de progresso sem citar a Venax. Nascida em 1954, ela é mais que uma fábrica; é uma escola metalúrgica. Ao levar o nome da cidade em seu DNA, a Venax abriu caminho para gigantes como a Metalúrgica Venâncio, a Refrimate e a Klima.
Juntas, elas compõem um parque industrial que domina o mercado de equipamentos gastronômicos e refrigeração, unindo precisão técnica e design inovador.

Essa força se estende à proteína animal, com o Frigorífico Kroth liderando a arrecadação e gerando valor através da excelência produtiva, e às indústrias de base como a America Embalagens, Tecnometal e Haas Madeiras, que garantem que a engrenagem venâncio-airense nunca pare.

6. Horizonte Digital: O Salto para o Amanhã

Venâncio Aires não habita apenas o passado. Estamos na vanguarda da Inovação e Tecnologia. Com quase 80 empresas de TI, a cidade viu nascer a CAF (Combate à Fraude), uma gigante da cibersegurança que hoje encara os unicórnios globais de frente.

A nossa inteligência também se volta para o sol e para a terra. Somos potência em energia fotovoltaica, com empresas como a Sustenta e a Athlon desenhando um futuro sustentável.
E quando a ISSO Digital brilha na Feira de Hanôver, na Alemanha, ela não está apenas mostrando sensores inteligentes; está mostrando que o engenho nascido no Vale do Rio Pardo tem escala mundial.

7. O Sentimento de Ser Venâncioairense

De Vila Mariante às startups de cibersegurança, Venâncio Aires é uma prova de que a tradição não precisa ser um freio, mas sim uma âncora que nos permite navegar com segurança em direção ao novo. Somos a terra do chimarrão, do tabaco, do aço e da inovação.
Mas, acima de tudo, somos uma comunidade que sabe reconstruir, inovar e acolher.
Venâncio Aires: Onde o Rio Grande encontra o seu futuro, sem nunca soltar a mão da sua história.

Rebecka Porsche

" A escrita é uma conversa entre as mentes do escritor(a) e do leitor(a)"

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